Se você vai comprar no Paraguai, Uruguai ou Argentina e acha que “todo mundo passa”, “ninguém fiscaliza” ou que “celular não conta”, você está a um passo de pagar imposto, multa ou perder mercadoria.
A regra é simples no papel — e cheia de armadilhas na prática.
Vou explicar como funciona, onde as pessoas erram e como usar a cota a seu favor, sem sustos na Receita Federal.
Quem busca esse conteúdo (e por quê)
- Quem vai viajar para a fronteira e quer saber quanto pode trazer
- Quem quer comprar celular, eletrônicos, perfumes ou bebidas
- Quem já ouviu versões diferentes da mesma regra e está confuso
- Quem quer economizar, não “testar a sorte”
O que são as cotas de isenção de impostos
A cota de isenção é o valor máximo que você pode trazer do exterior sem pagar imposto, desde que:
- Seja para uso pessoal
- Não caracterize revenda
- Respeite os limites por pessoa
Valor da cota terrestre (fronteira)
👉 US$ 500 por pessoa, a cada 30 dias
Isso vale para:
- Paraguai
- Uruguai
- Argentina
Não importa a cidade:
Foz do Iguaçu, Ciudad del Este, Rivera, Chuy, Puerto Iguazú, Paso de los Libres… a regra é a mesma.
Atenção: o erro mais comum sobre a cota
❌ “Cada loja tem uma cota”
❌ “Celular não entra na cota”
❌ “Perfume não conta”
Tudo isso é falso.
👉 A cota é por pessoa, não por loja.
👉 Todo produto conta, inclusive celular, relógio, perfume, notebook, videogame.
Como a Receita Federal calcula a cota na prática
Você comprou:
- iPhone: US$ 750
- Perfumes: US$ 120
Total: US$ 870
Cota permitida: US$ 500
Excedente: US$ 370
💰 Imposto:
- 50% sobre o excedente
- US$ 185 de imposto
Sem negociação, sem choro.
Compras no Paraguai: onde mais gente erra
O Paraguai é onde as pessoas mais extrapolam a cota, porque os preços enganam.
Situações comuns:
- Compra um celular “barato”
- Acrescenta fone, capa, smartwatch
- Acha que “dá pra passar”
👉 Resultado: ultrapassa a cota sem perceber.
Dica prática
Se vai comprar um item caro, não compre mais nada relevante.
Celular caro + mais compras pequenas = problema.
Compras nos Free Shops da Fronteira (Uruguai)
Aqui mora uma confusão clássica sobre os Free Shops da Fronteira do Uruguai.
Verdade nua e crua:
👉 Free shop NÃO isenta da cota brasileira
Mesmo comprando:
- Em Rivera
- No Chuy
- Em loja “duty free”
👉 Tudo entra na cota de US$ 500
Free shop só significa isenção de impostos do país, não do Brasil.
Compras no Uruguai: menos risco, mesma regra
O Uruguai costuma:
- Ter preços mais altos
- Menos “empolgação” de compras grandes
Mas a regra é idêntica.
Erro comum
“Comprei pouco, então não preciso me preocupar.”
Errado.
Se ultrapassar US$ 500, paga imposto — seja em Rivera ou Montevidéu.
Compras na Argentina: atenção ao câmbio e notas fiscais
Na Argentina, o problema não costuma ser excesso de compras, mas:
- Conversão errada do valor
- Nota fiscal confusa
- Uso de câmbio informal
👉 A Receita considera o valor real em dólar, não o que você “achou barato”.
Quantidade também importa (mesmo dentro da cota)
Mesmo respeitando os US$ 500, você pode ser barrado se parecer revenda.
Exemplos que chamam atenção:
- 3 celulares
- 8 perfumes iguais
- Vários eletrônicos repetidos
👉 Cota não é salvo-conduto para comércio.
O que acontece se você for pego acima da cota
Você tem três caminhos — e não escolhe todos.
1️⃣ Pagar o imposto na hora
2️⃣ Abandonar a mercadoria
3️⃣ Ter o item retido
Não declarar não é vantagem. A multa pode dobrar o valor do imposto.
Declaração: quando vale a pena declarar antes
Declare se:
- Sabe que ultrapassou a cota
- Comprou item caro
- Quer evitar dor de cabeça
A Receita costuma ser mais objetiva com quem declara do que com quem tenta esconder.
Checklist prático antes de atravessar a fronteira
✔ Some todas as compras (em dólar)
✔ Veja se passou de US$ 500
✔ Avalie quantidade de itens iguais
✔ Guarde notas fiscais
✔ Decida: declarar ou não
✔ Não confie em “todo mundo passa”
Quando vale a pena usar a cota
✅ Comprar um item caro (ex: celular)
✅ Comprar poucos itens de uso pessoal
✅ Viajar com planejamento
✅ Aceitar pagar imposto se ultrapassar
Quando NÃO vale a pena
❌ Fazer compras por impulso
❌ Tentar trazer quantidade para revenda
❌ Confiar em “dica de loja”
❌ Achar que free shop é zona livre
Recomendações finais (sem diplomacia)
- A cota funciona, mas não perdoa erro básico
- Receita Federal não depende de sorte, depende de regra
- Quem perde dinheiro na fronteira quase sempre perdeu antes, por falta de informação
Se você entende a cota, compra melhor, economiza mais e passa tranquilo.
Se ignora, paga imposto — ou aprende do jeito caro.
Esse guia resolve 90% das dúvidas reais. O resto é escolha.
Mais Informações
Para consultar outras informações e conteúdos, consulte nossa página Guia de Compras e Lojas.
Site Oficial da Receita Federal do Brasil: Guia do Viajante.
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